Em Porto Alegre, capital do estado responsável pelo circo de horrores do governo Sartori, o segundo turno terá o PMDB do Melo (vice-prefeito da atual gestão que carrega a cidade a 12 anos pro atoleiro) contra o PSDB do Marchezan (PSDB que foi responsável pelo irresponsável governo Yeda). Porto Alegre nas mãos dessa atual gestão passou de modelo de cidade a uma das mais caóticas capitais do país, incapaz de cuidar da limpeza urbana, manter salários em dia e de arrumar simples relógios pela cidade (!!).

Os índices de reprovação do governo Sartori e do Fortunati (e mesmo do Temer) são altos, mas, mesmo assim, o gaúcho achou que o melhor seria colocar velhos caciques da política em Porto Alegre.

Ainda que tudo isso seja deveras terrível do ponto de vista político, é algo perfeitamente previsível, uma vez que a esquerda no período pós-impedimento da Dilma teve o cerne do seu pensamento atacado e quase criminalizado. A polarização política dos brasileiros atinigirá o seu ápice nas eleições de 2018 — quando a esquerda deve ser ainda mais rechaçada nas urnas — e devemos perceber uma ascensão do pensamento de esquerda apenas a partir de 2022 — para eleições majoritárias — que é quando o prazo de validade desse projeto de governo do PSDB/PMDB deverá ter mostrado como uma política que privilegia elites e poda pobres não é benéfica para o povo. Mas, até lá, o que a esquerda pode fazer é entender o movimento atual e entender o movimentos político e midiáticos que possibilitaram não apenas o golpe do impedimento, mas, toda a reação em cadeia que se seguiu a ele.

Cabe lembrar que ambos estão entre os partidos mais corruptos e mais citados em investigações pelo país.

Porém, isso obviamente tem muita culpa do governo de esquerda do Tarso (que não foi bom, vide as constantes greves do magistério e atritos com diversas classes) e da Dilma (que ainda que governasse um avião rumo ao desastre, teve a sua parcela de culpa ao não cumprir integralmente o plano de governo eleito) e a culpa do PSOL de ter se fechado diante do mergulho ao infinito dado pelo PT.

PSOL surge como o partido com representatividade nos círculos de eleitores do PT que não eram petistas, surge no vácuo de poder que a própria esquerda é incapaz de preencher. Muito se critica o PT, mas, tudo o que ele, como partido, fez foi romper o pacto de mediocridade da esquerda e sair das zonas de conforto — universidade e círculos artísticos — para se misturar como o povo de fato.

Transferência de renda, assistencialismo social, bolsas e programas de oportunidade para pobres são bandeiras de toda a esquerda (de certa forma) e foram ações praticadas pelo PT e que deram muito certo — e que mudaram a vida de milhares de pessoas, minha inclusa, uma vez que provavelmente não estaria aqui escrevendo sem a ajuda dos ‘programas eleitoreiros do PT’. O PSOL, por exemplo, defende isso também — ao menos no transparece no discurso do partido — porém ainda é preso em círculos acadêmicos e artísticos, sem rua e sem povo dentro dele. A eleição majoritária é importante pro partido, mas, pra esquerda atual — em crise e semi-criminalizada pela mídia que recebe vultuosas somas do governo Temer — o que mais se faz necessário é representatividade no legislativo. Vereadores, o PSOL precisa de vereadores indo em vilas e ouvindo o que as pessoas tem pra falar, caminhando nas vielas daqueles que são invisíveis nas dicussõs acadêmicas e que só são lembrados na hora da eleição — muito mais pelos partidos de ‘direita’ do que pela ala da esquerda — quando isso.

Camara

Fonte

Partidos de esquerda tomaram um grande baque nessa eleição porque não entenderam ainda o que os levou a impedimento da Dilma — o golpe é muito maior e muito mais nefasto do que simplesmente tirar o PT do poder; a ideia central é transformar o Brasil num grande latifúndio que priorize os mesmos atores que mandam no país desde 1500 (vide Dória em SP) — e por achar que a biografia de figuras como o Pont seria capaz de trazer votos ao partido (arrisco que se fosse outro, o PT faria ainda menos votos do que fez).

Resumindo: O PT ainda não entendeu o que e quem bateu neles e o PSOL não sabe como descer os degraus do centro acadêmico.