Fazendo um resumo de sete meses trabalhando como tradutor para uma empresa da Argentina, eu hoje consigo dizer que trabalhar como terceirizado é uma merda. Você não tem a quem recorrer – ainda mais quando está trabalhando para uma empresa no exterior – e não tem nenhum tipo de direito trabalhista. A única garantia que você conta é que a de que, por algum motivo que a mão invisível do mercado autorregulado não explica, você será pago por eles em algum momento. Eu começo a achar que o calote e o prejuízo uma hora baterão na minha porta, com certeza, é como se esse fosse o meu destino manifesto daqui pra frente, porque depois de tantos emails – dos mais doces e suaves aos mais ríspidos – que ficam sem respostas, depois de tantas reclamações por vários meios, o stress pegou e eu não tenho mais forças para ficar indo-e-vindo nessa ciranda capitalista de modelo de trabalho disruptivo sem amarras arcaicas como CLT e outras coisas que só atravancam o empresário. Por sorte, depois de escrever esse texto no Facebook no dia 13 de junho de 2017, no outro dia eu finalmente fui pago (mas ainda tenho mais 3 recibos a serem pagos até agosto pela mesma empresa que, até o dado momento, sempre atrasou pagamentos).

Extrapolando esse ocorrido, fico aqui imaginando apenas como será o Brasil daqui uns anos, com a reforma trabalhista maluca que vai dar a “oportunidade de que todos os empregados negociem diretamente com o patrão”. Imagina que esse tipo de serviço que eu faço, ainda que seja fácil de achar pessoas para fazer, é especializado e exige uma formação mínima; agora comparem com um auxiliar de serviços gerais, um assistente de limpeza, as chances dessas pessoas - como ocorre normalmente já - ficarem 3/4 meses sem serem pagas e, com a nova justiça trabalhista que se desenha, jamais serem pagas até, é cada vez maior. Vamos fundar no Brasil pós-camisetas verde-e-amarelo um novo estilo de escravidão.

Mas sempre conseguindo negociar diretamente com o patrão, óbvio.

O Capitalismo faliu, ruiu e nós estamos nos metendo numa era neo-monarquista, substituindo as famílias reais pela empresas e acreditando que esses, assim como os anteriores, tem um “quê” de divino por estarem onde estão – alguns chamarão de trabalho, outros de mérito e muitos de sorte – e por isso merecem esse lugar mais alto na sociedade.

São mais iguais que os outros.